sábado, 14 de maio de 2016

Cronograma do Centro do Ser


A Mulher dos 40

"A mulher Madura"
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Quando chegamos aos 40 anos geralmente é assustador! Mas a Maturidade psicológica e o emergir do Arquétipo da Velha Sábia no Inconsciente feminino, permite que a mente tome consciência de que a Maturidade lhe proporcionará novas óticas e perspectivas. Os ânimos se acalmam pois não perdemos a juventude, ao contrário, ganhamos muito com a maturidade: segurança, liberdade, mais autonomia e sabemos buscar o prazer! Valores são repensados, a força instintiva é canalizada e a beleza da Loba desperta no brilho dos nossos olhos, a Mulher Loba exala dos nossos poros! Como um novo perfume de mulher madura uivamos para o Mundo! 
Nesta nova fase, enfrentamos todos os medos, tabus, e preconceitos que foram vinculados à velhice e a menopausa; já começamos a ter mudanças nos nossos Ciclos. Mas não se desesperem: a Maturidade nos permite fazer as pazes com o nosso lado saudável, e como na trajetória da Heroína, conseguiremos atravessar os portais dos nossos próprios obstáculos - véus - e despertar para esta nova fase com sabedoria
O tempo que nos sobra será para o cuidado do corpo, da mente e do espírito.
A maturidade é um momento de reformular propósitos, mudar atitudes e pensar nos projetos novos. Nos desapegamos de expectativas sociais e externas, das solicitações familiares, e nosso Ego se rompe! Novos papéis começam a ser desempenhados e abandonamos as máscaras que nos aprisionavam! Somos capazes de abandonar o medo e todas as apreensões quanto ao futuro, tais como:
- preocupação comum sobre o que os outros vão achar de mim; 
- deixar de ser boazinha;  
- abandonar os fantasmas de uma velhice solitária, sem utilidade, sem valor;
Ter medo da velhice é algo que perturba a mente, a confiança e a Auto-estima de muitas mulheres. Principalmente quando a Auto-estima está vinculada somente à beleza e ao amor. Recebemos informações deturpadas e negativas do arquétipo de Afrodite (Deusa Grega do Amor, da Beleza e da Sexualidade). Nos meios de comunicação, a mulher contemporânea é bombardeada de informações de que a Juventude deve ser eterna, e fica muito mobilizada a buscar a beleza atrelada a um único modelo estético. Nos sentimos obrigadas a nos encaixar no molde pré-estabelecido desde a nossa fase de Menina. Após a primeira menarca, a Donzela é educada a crescer e a se desenvolver para atrair e seduzir os homens, não de forma espontânea e genuína, mas criando meios artificiais:  o excesso de maquiagem, pinturas nas unhas e cabelos, roupas e acessórios atraentes.  Ela é ensinada a ser uma "bonequinha", a vestir-se bem e estar sempre bonitinha nos eventos sociais.  
Nos doutrinam a acreditar que devemos dar prazer aos homens, mas a Mulher Madura acorda, pois conhecendo o seu circuito de prazer, sabe que merece ter prazer, tanto erótico quanto por tudo que realiza na vida!  
Muitas vezes a moda também impõe cores, texturas, e formas para satisfazer a imaginação do homem. Imaginemos uma donzela rebelde, que gosta de soltar os cabelos e mostrar as unhas da Mulher Selvagem? (termo usado por Clarissa Pinkola Èstes, em Mulheres que Correm com os Lobos). Esta donzela rebelde não é bem-vista e aceita, e muitas vezes sofre preconceitos, muitas vezes é taxada de puta ou  de bruxa. O que quero apontar é que infelizmente o desabrochar da Donzela esteve por muito tempo vulnerável a esta ditadura da beleza artificial, o que na minha compreensão, se torna uma escravidão. Não quero dizer que não seja importante o auto-cuidado, a satisfação com a auto-imagem, mas que deveríamos ter mais liberdade de expressão! Como seria leve se desde a nossa infância  buscássemos a beleza interior, e que a expressão externa, nossa Auto-imagem fosse um reflexo da nossa alma? 
Talvez seríamos mais seguras com o que somos e não mais com o que temos, e a relação com o corpo se tornaria sagrada. 
 Sem esta consciência do Feminino ferido, chegamos cambaleantes aos quarenta anos, tentando driblar as rugas de expressão, os cabelos brancos, as marcas do tempo em nosso corpo, os hormônios nos modificando, o metabolismo tendo outro ritmo. Percebo que nós mulheres maduras chegamos a uma grande crise de identidade, precisamos nos libertar da "Ditadura da Beleza"; para realmente sermos plenas e felizes. 
A maturidade nos traz certezas e muitas possibilidades novas, mas também traz à tona a dor de escolhas erradas. A maturidade nos coloca frente a frente com o que não se encaixa mais, com as roupas “sujas”e inadequadas. Nesta fase temos o poder de lavar os julgamentos, todas as falsas impressões e todas as distorções sob a nossa auto-imagem. 
Ouvimos muitas lamentações da mulher madura submissa à ditadura da Beleza: a unha está quebrada, meu dente está amarelo, meu cabelo está seco e branco, minha pela tem manchas e rugas... e aí não para mais... E esta insatisfação e repúdio com o corpo atrelados a velhice, temos que superar e deixar para trás! Existe a Morte simbólica de uma roupa que não nos serve mais! Deixe o Ego sucumbir! Liberte-se!
A Maturidade é um marco e pode ser um grito de liberdade! Precisamos olhar o feminino pleno e não machucado. A mulher que deixa de ser apenas um objeto, percebe que com o seu novo brilho é adorada e admirada, assume a sua própria beleza e ganha o Amor-próprio
Encontrar os traços de beleza na mulher madura é uma das pérolas mais lindas no ciclo da vida: se orgulhar da maturidade, da sabedoria, da confiança, da amorosidade,  sexualidade sem pudores, perder a vergonha de buscar o prazer, encontrar o orgasmo pleno, retomar o brilho pessoal e genuíno. Esta é a maior pérola - sermos nós mesmas! 
É verdade que existe o fantasma de uma velhice solitária, nos moldes patriarcais e machistas, que ainda perpetuam eternamente a Afrodite na face feminina. Não nos enganemos, as faces do feminino estão além do brilho de Afrodite! Que sejamos capazes de não nos iludirmos com o medo de não sermos mais boas e belas para os homens; devemos ser livres destas amarras
Que sejamos capazes de não nos corrompermos mais com os valores patriarcais. Não somos objetos! Mas sim, podemos ser as protagonistas das nossas própria vida e escolhas! 
 Que vergonha tenho de também sentir este medo!  Mas devemos aceitar que ele existe e que foi perpetuado por muitas gerações; carregamos da nossa ancestralidade, da  sombra coletiva: o medo do abandono. 
Aceitar a maturidade é saber que seremos capazes de nos cuidarmos sozinhas, capazes de sermos fortes e independentes, e que se confiarmos em nós mesmas, teremos amor e tudo que desejarmos! Podemos ter tudo ao sermos seguras de quem somos!
Como fazer isso? Comece a aceitar a mulher dos 40! 
A mulher que não é mais manipulável, a mulher que já sabe dizer não, a mulher que não é mais vulnerável e que tem seus próprios princípios! Não minta mais para você mesma! Seja honesta com os seus desejos, e aceite que a maturidade é o começo da libertação! 
A mulher Madura é a protagonista da sua vida, assim como nos lendários contos de fadas e mitos; devemos continuar a lutar e a viver mesmo que a bruxa malvada venha atrás de nós para nos ameaçar. 
A mulher madura sabe dizer não à maçã envenenada!
"Viver as mudanças ajuda a reconhecer que somos seres com desejos. Trata-se de um grande desafio, porque as mulheres transitam pela vida a serviço das necessidades dos demais, e assim, tomam como seus os sonhos que não lhes pertencem. Têm dificuldade em saber o que querem realmente". (Marisa Sanabria)
Confio na maturidade dos 40, no Portal de Consciência que se abre, nos desejos que nos sacodem e nos movem a ações mais prazerosas e autênticas. 
Acredito que mesmo com todos os medos eles nos servirão para ganharmos força e motivação, e assim conseguirmos aceitar de fato o processo de envelhecimento, de forma saudável e leve. 
A mulher madura distante da ditadura do olhar masculino,  aprende a cuidar do seu corpo, não mais como um objeto de mercado, submetido a prostituição da imagem, (como dizia Baudelaire), mas possui a consciência de seu templo sagrado: nosso espaço, que respeitaremos com nosso amor-próprio e saberemos colocar limites que sejam verdadeiros à nossa alma instintiva. 
Podemos ser vaidosas e cuidarmos do nosso templo, mas não mais com exigências externas, que nos fazem sucumbir aos padrões patriarcais. Não devemos mais carregar em nosso ventre todos preconceitos e autojulgamentos hostis em relação à nossa autoimagem – isto é profanar o nosso Templo, que é Sagrado.
A Verdade é que devemos aprender a honrar o próprio corpo como templo sagrado, e buscarmos a felicidade e satisfação em nós mesmas, para então saber dosar e dedicar um tempo saudável para a nossa própria beleza. 
E dessa forma, conseguiremos uma abertura a quaisquer movimentos da vida e uma maior fluidez na dança com o próprio corpo.  Seremos as Deusas para nós mesmas!  
Acredito que em nossas próprias curvas e em nossos próprios ossos, podemos ver a beleza de quem somos! Acredite! Supere com alegria a ponte que a conduz da face mãe para a face anciã! O arquétipo da Anciã lhe impulsiona a atravessar para o outro lado do rio - lhe fazendo dar as mãos à Mulher Sábia!

terça-feira, 14 de julho de 2015

Deusa Hera

No Mês de Junho tivemos dois Rituais de purificação com a energia da Grande Deusa Hera! Limpamos as máscaras das sombras de nossas ancestrais e do inconsciente coletivo que nos traziam memórias de dor no casamento: traição, mentiras, desilusões, convenções sociais, obrigações, medo, frustração. Uma máscara mais saudável e feliz de um verdadeiro Casamento Sagrado se revelou! 
E as bençãos da Deusa do Casamento chegou ao coração das mulheres presentes,  revelando a Integridade da Deusa que nos trouxe o Poder Pessoal!
Muitas limpezas dos seus esteriótipos devem ser purificados... Ainda hoje muitas mulheres se sentem confusas com a idéia de um Casamento formal, parece que existe uma Sociedade permeada por uma Obrigação Social que diz que a mulher pura e boa é aquela Boa para Casar! No Entanto, ao vermos tantas possibilidades de Relacionamentos, hetero, homo, bissexuais, ajuntamentos, namoros e compromissos a distância, algo nos desperta para as máscaras do Casamento. O Casamento Formal surgiu de uma necessidade Patriarcal de garantir o seu legado econômico e suas posses aos seus herdeiros. Vemos que Casamento Sagrado não envolve posses, Status Social, conta bancária, festas magníficas... o Verdadeiro casamento sagrado é realizado dentro, com o tempero verdadeiro de Eros: o Amor!
Casamento significa união de Almas afins com um propósito de Felicidade, comunhão e parceria! Será que devemos considerar eras muito antigas, até mesmo da Grécia Antiga, para percebermos lá a existência do Verdadeiro Arquétipo de Hera!
Ela é desprovida do Esteriótipo da Esposa mandona, manipuladora e Ciumenta do Cenário Grego. Zeus teria obrigado o Casamento com Hera, ou seria um fracção mitológica para percebermos que Zeus representa os novos valores patriarcais, que desejam controlar o poder feminino, de modo sutil mas repressor. Casar para os homens tem sido sinônimo também de medo e pânico, talvez pela absurdo repetição no nosso inconsciente coletivo de depararmos com um Zeus manipulador, mulherengo, sedutor, capaz de enganar Deusas e Semi-deusas com seus feitiços e formas animais. Seria o instinto masculino movido apenas pelo arquétipo do Deus do Olimpo? Ou podemos revelar que existem outras faces sagrados do Masculino, e que respeitam a Face feminina por igual.
Não deixemos que a guerra no Olimpo se perpetue até o mundo contemporâneo, basta apenas que as mulheres não se transformem em esposas ciumentas, rivais, vingativas e manipuladoras, e que seus maridos não sejam este fragmento singelo e sombrio de um Deus que quer governar praticando o lema do Barba Azul - sugar a energia feminina, se embriagar de poder vital feminino.
ao contrário deste contexto, no Casamento Sagrado ambos se nutrem conjuntamente, se revelam com o que são na dança entre luz e sombra, e nesta igualdade humana de luz e sombra o amor se revela e se constrói.






Deusa Atena


Deusa Atena (Mitologia Grega) ou Minerva (Mitologia Romana)



Ao entrarmos em contato com um Arquétipo sentimos na pele da nossa Alma o contato profundo com um poder, um sentido inconsciente que sabemos existir mas muitas vezes está inacessível. viver o contato com as Deusas remotas, nos traz um significado profundo de sua aparição ou sua existência nas faces da Mulher contemporânea. Eis que Atena vive entre nós Mulheres Modernas! Ela vive aprisionada em um esteriótipo da Profissional bem sucedida, da mulher intelectual e com uma carreira promissora, da mulher astuta que segue seus projetos profissionais. Mas Atena é muito mais que uma carreira bem sucedida e um farto salário no fim do mês; Atena traz a Sabedoria e Justiça Ancestral, aquela que os nossos ossos sentem mas a pele rejeita, entrar nas profundezas dos Arquétipos é ver além do Ego, é ver com a visão da Alma!
Atena também é delicada e justa com tudo que faz e escolhe! Ela é gerada pela ambição do intelecto, mas é excelente nas artes manuais e criativas. o Poder da Criação está no Brilho de Uma Mulher Atena! No entanto, muitas de nós se aprisionaram em seu esteriótipo, e competem fervorosamente no trabalho, e assim se distanciam do Arquétipo que requer um olhar profundo para dentro, o contato com o potencial criativo que gera idéias e gera a inteligência em ato! Vamos fluir Mulheres no arquétipo e não no Esteriótipo!
Que usemos sua balança para buscar justiça ao nosso redor, e sermos além de honestas com o mundo, sinceras com nós mesmas! Somos nutridoras, cuidadoras e criativas! Adoecemos se usamos o tempo todo um escudo e espada, precisamos de saias, de dança criativa, de expressão do ser, de sensualidade e doçura. Atena pode ser nossa aliada na Luta mas não nos aprisionar em sua rigidez!

LUA VERMELHA  E LUA BRANCA: O CICLO MENSTRUAL

Nos Mitos e em muitas Lendas antigas as flutuações do ciclo menstrual na mulher eram percebidos como reflexos das fases e arquétipos lunares. O corpo feminino é lunar, a Lua rege os seios, ovários, útero, menstruação e Gestação; as mudanças físicas sempre são acompanhadas de processos profundos no plano mental, psíquico e emocional. 
A observação do ciclo menstrual e sua relação com as fases lunares deram origem a passagem do tempo, permitia a estruturação e o desenvolvimento da sociedade. A sincronicidade entre fluxo menstrual e ritmo lunar refletia o vínculo profundo entre a Mãe Terra e a Mulher, que guardavam os mistérios da Vida em seu próprio corpo e da Morte. Simbolizado pelo Vaso Sagrado os Mistérios do Ventre, o Enigmático Graal, fonte da vida e da Morte; ocupava um lugar central nas culturas matrifocais. Transformado posteriormente com as religiões, filosofias e valores patriarcais. 
O sangue menstrual foi considerado um fluido da vida e por isso era extremamente sagrado. Na antiguidade vários mitos retratam o sangue menstrual, na Grécia foi chamado de Ambrosia ou vinho tinto sobrenatural, na Ìndia foi chamado de Soma, e era o nome secreto da Grande Mãe. Os índios norte-americanos acreditavam que todos os seres humanos nasceram da mestruação da lua, e hoje ouvimos a menstruação como a Lua da Mulher. No Egito os faraós tornavam-se divinos ao ingerir o sangue de Ìsis. Na India quando uma menina menstrua ela é homenageada por ter florido, e seu sangue é chamado de flor, néctar Kula. Simbolicamente a flor se transforma em fruto, e o sangue uterino era a flor da lua, que preserva em si a herança das futuras gerações. Na tradição tântrica a sacerdotisa que personifica a Deusa deve estar menstruada e o sexo ritual com ela significa reter poder ao iniciado, o poder de Senhor do mundo.
Assim sendo, existia a conexão do sangue com a Lua e suas fases.
A energia da lua crescente era conectada com o fim da menstruação e posterior culminação da ovulação; uma fase cuja face era regida pela Deusa Donzela e seus atributos eram considerados dinâmicos e criativos. 
A Deusa Mãe era conectada a fase da Lua cheia, representavam o auge da ovulação; como  a própria capacidade de nutrir, de sustentar e fortalecer. A diminuição da luz lunar refletia a mudança da ovulação para a menstruação ocorrendo um aumento do poder mágico e da percepção sutil. Fase cuja correspondência arquetípica foi atribuída à Feiticeira, Bruxa ou Maga; fase destinada a criar e destruir, seduzir, encantar ou enganar. 
A Lua Negra e a Anciã regem o período menstrual, interiorizando portanto as energias físicas e a energia é voltada para a introspecção, como o foco torna-se um olhar para o "self"(si mesmo) e toda demanda de energia é direcionada ao mundo espiritual. Nesta fase, extremamento propícia ao potencial criativo, pode-se gerar novas idéias, pois as energias estão totalmente voltadas para o mental.
Nesta classificação não existem divisões fixas para todas as mulheres, no que se refere às fases citadas, contudo, é de extrema importância conhecermos nosso próprio ciclo menstrual, para podermos realmente otimizar a energia dispendida, no que se refere as atividades de maior demanda externa ou interno. Isto é, entender o nosso fluxo é respeitar o ritmo próprio de nosso ser e organismo, escolhendo e selecionando as situações propícias para atuarmos mais no mundo material, com atividades externas, e respeitarmos os momentos propícios para mergulharmos no nosso mundo interior, ao encontro do nosso centro e das nossas verdadeiras necessidades. Aproveitando contudo de forma prática o movimento do nosso ciclo e utilizando- nossa energia de forma favorável e canaliza-a de modo mais consciente. 
Na fase Donzela a mulher é considerada "dona de si", está segura e determinada, tem eficácia nos resultados do seu trabalho, sendo uma fase benéfica para iniciar novos projetos. Seu ritmo favorece ao aprendizado e experiências.
Na fase Mãe a mulher é preparada para abnegação da maternidade; tornando-se amorosa e disposta a assumir responsabilidades, cuidar dos outros, fazer projetos,concretizar idéias, atrair pessoas e compartilhar o amor. 
As energias da Feiticeira é quando o óvulo é liberado, mas não fertilizado. A mulher experimenta o auge do seu poder, da sensualidade e da magia. Suas energias são expandidas e podem se manifestar de forma ambivalente, ora criativas ou ora destrutivas. Sua intuição está ampliada, contudo o foco é reduzido. Fase que requer paciência para concretizar visões e projetos.
A fase da Anciã se expressa durante a menstruação como o aguçamento da percepção intuitiva, da necessidade de introspecção e a maior sensibilidade para sonhos e premonições. Uma fase propícia para o isolamento, diminuição do ritmo, e momento de transmutar as energias, liberar o velho, liberar toxinas; para então entrar no novo ciclo que virá. Fase também propícia para receber mensagens e orientações espirituais. A mulher está no auge de seu poder transcendental, pois torna-se receptora de conhecimentos ancestrais e  literalmente é apta a mexer o caldeirão e beber do cálice sagrado. Verificando o poder da transmutação da energia sexual em experiências extáticas e na expansão da consciência.
A mulher está sempre fluindo entre a luz e sombra, a incidência da luz no aspecto solar e lunar; existindo portanto dois tipos de ciclos menstruais: da Lua Branca (ovulação ocorre durante a lua cheia) ou da Lua vermelha(a ovulação ocorre durante a Lua Negra e a menstruação na cheia); sendo apenas distintas expressões da Energia Feminina mas ambas sagradas e regidas por um propósito de Alma. 
Como no Ciclo da Lua Branca o auge da fertilidade coincide com a plenitude de luz e da Lua cheia, este ciclo canaliza as energias geradoras e nutridoras para a procriação e criatividade. Considera-se a Mulher neste ciclo a Boa Mãe, e está de acordo com as expectativas patriarcais de nossa cultura. 
Já o Ciclo da Lua Vermelha, a auge da Fertilidade coincide com a escuridão lunar, e as energias criativas são canalizadas para o mundo interior, e a maior conexão é com o "Self", sendo assim, a energia sexual canalizada para fins mágicos, espirituais ou transcendentais. A Mulher que segue este fluxo ou este Ciclo é considerada Feiticeira, Bruxa, sendo um aspecto reprimido e ausente de confirmação positiva pela camada profunda do Patriarcado, onde se teme a Magia, considera-se perigoso. 
Podemos considerar que ambos os ciclos surgem no Ciclo Vital de uma Mulher e oscilam de acordo com a fase de Vida, necessidades Vitais e Conexões profundas. São considerados dois pólos na vida de uma Mulher, e muitos movimentos hoje do Sagrado Feminino consideram salutar esta nova Conexão e Resgate Profundo.
Na nossa história, o Cristianismo principalmente herdou e ampliou esse horror patriarcal ao sangue feminino, proibindo as mulheres de comungar ou entrar na igreja quando menstruadas, fazendo com que valores negativos fossem atribuídos e tabus construídos, e o sangue ao contrário de ser considerado um fluxo divino e poderoso da Grande Mãe, passou a ser motivo de vergonha e contaminação, considerado sujo. Com o tempo, na Estrutura da Sociedade Patriarcal, as práticas sagradas com o sangue menstrual foram substituídas por proibições, enclausuramento, e restrições, causando grandes pertubações psíquicas e disfunções fisiológicas na mulher. 
Vemos muitas mulheres aderindo hoje ao In Ciclo, coletor Menstrual, não apenas como uma possibilidade mais econômica, já que descarta o uso de absorventes internos e externos; mas de resgate do contato profundo com o fluxo menstrual, com sangue, com a temperatura corporal. A Mulher ao fazer o uso vai se dando conta que é Cíclica, que é fértil, e que o sangue também pode gerar vida! A mulher resgata o Mana, o poder no seu sangue! Inclusive no uso do sangue nas plantas, na grama, alimentando e nutrindo a terra. Existe um ponto em que se percebe que a terra é um fio condutor que conecta a Mulher Moderna com as suas verdadeiras origens! Somos frutos do Grande Útero de Gaia e a ele retornaremos! "O sangue é a ponte que nos liga às ancestrais e as futuras gerações, mantendo a continuidade da linhagem feminina" (Mirella Faur, O Legado da Deusa).
Sentir pulsar o sangue é sentir a vida, é se conectar ao Universo Interno e Externo, perceber o movimento da luz e da sombra dentro e fora de nós!
Bem-vindas as Feiticeiras, que usam o poder de seu sangue para perceber as múltiplas realidades e transcender para além do Ego: das vaidades, competições, invejas, luxúrias, apegos, medos, raiva, desespero, desânimo, depressão, ansiedade... São muitos os labirintos do Ego e o poder do sangue, do mana, é um impulso para desviar-se de suas armadilhas! Neste ato de conexão profunda,  resgatamos o Poder Feminino do verdadeiro auto-conhecimento e realizamos uma ponte invisível e simbólica entre o Conhecimento dito Científico aos Moldes Patriarcais, ao conhecimento Empírico ligado às nossas raízes intuitivas, selvagens e instintivas. 
Hoje sou uma Mulher que vive o Ciclo da Lua Vermelha, e como Sacerdotisa e Aprendiz do Sagrado Feminino, com humildade, posso relatar que chegou em minha vida o momento profundo de conexão com a Espiritualidade. Aprendi através da Gineterapia, dos trabalhos e experiências com Círculos de Mulheres a canalizar os Arquétipos e empoderar não somente a minha face do Feminino, mas de diversas mulheres que buscam este trilhar, e esta Re-Conexão!
Sobre a Lua Branca e Vermelha, acredito que sejam polaridades femininas que dançam entre si em busca de um equilíbrio.  Movimentos mutáveis e saudáveis do nosso ser, que ora se volta para o Externo, para o Mundo, para os Burburinhos da vida e necessidades Mundanos; e ora se movimenta para criar raízes profundas na Matéria, vivendo o Ciclo da Lua Branca. 
No momento que a  Mulher está mais voltada para o seu Self/ Alma, é quando suas necessidades exteriores estão razoavelmente sanadas, e ela consegue fluir então com reverência e respeito no Ciclo da Lua Vermelha!
Eu reverencio o Meu ciclo e de todas as Sacerdotisas, curadoras, e mulheres consideras Bruxas!


 O oferecimento do Sangue foi um hábito antiquíssimo e sagrado!
Um gesto de Agradecimento ás Dádivas recebidas e o retorno à mãe Terra da energia fertilizadora do Sangue Menstrual. Considerado um poderoso Fluido sagrado, rico em nutrientes e possuindo em si um Poder Mágico foi usado durante milênios para garantir a fecundidade e prosperidade. Era oferecido o sangue menstrual como um presente precioso à Grande Mãe desde tempos remotos, que infelizmente veio a culminar com a sua substituição posterior pelo sangue de animais ou humanos (já em eras dominadas pelo patriarcado). 
Nos tempos contemporâneos é importante oferecermos o Sangue de modo consciente, com respeito e reverência; se possível em meio da Natureza em uma Comunhão verdadeira com a Mãe Terra. O mais importante é a consciência da Sacralidade deste Ato!!!
Nas Rodas do Sagrado Feminino e no Movimento de Conscientização do Uso do Sangue Menstrual, é relevante que todas as mulheres compreendam o valor antigo desta prática e de que este movimento nos aproxime e desperte para uma memória genética de cerimônias ancestrais. 
No contato com o Cálice Sagrado e sangue menstrual renovaremos os nossos laços profundos com a Mãe Natureza e faremos as pazes com a Mãe Terra!


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Complexo Materno















Oficina Terapêutica - Roda de cura







 
O CONTO NATIVO LAKOTA

Existem várias lendas que falam sobre os filtros dos sonhos ou Dream catcher, a que segue é dos índios Lakota da Norte América e foi-me repassada por Tanka: “Num tempo em que o mundo era jovem, um Velho Líder Espiritual dos Lakota, do alto de uma montanha teve uma visão: IKTOMI,o professor e grande sábio Trickister, apareceu na forma de uma aranha.
IKTOMI falou na língua sagrada que somente o líder espiritual dos Lakota podia compreender. Enquanto Iktomi, a aranha, falava, ela pegou o bastão falante do Sábio Ancião, que continha penas, crinas de cavalo e contas, e começou a construir uma teia.
Falou sobre os ciclos da vida e como começamos nossas histórias como infantes, caminhamos da infância para a maioridade e finalmente para a velhice, onde deveríamos ser cuidados como crianças, completando o ciclo.
Continuou IKTOMI, ainda tecendo a teia: - Mas em cada tempo de vida muitas forças nos são apresentadas alguma boas e algumas ruins. Se escutar as boas, elas irão levar você na direção certa. Ouvindo as forças ruins, elas irão te ferir e te levarão na direção errada. E o Sábio continuou: “Existem muitas forças e diferentes direções que podem ajudar ou interferir na harmonia da Natureza e também nos seus ensinamentos”.
Enquanto falava, a aranha construía a sua teia, das bordas para o centro daquele círculo que havia construído com um pedaço do bastão falante daquele Velho Líder Espiritual. Quando IKTOMI terminou de pronunciar suas sábias palavras entregou o objeto ao Velho Lakota e disse:
-Veja, essa teia é um círculo perfeito e existe um buraco no centro desse círculo. Use esta teia para ajudar a você e a seu povo a alcançar seus objetivos e faça bom uso de suas idéias, sonhos e visões. Se você acredita no Grande espírito, essa teia captará seus ideais e os maus serão eliminados por este buraco no centro da teia.
O Velho Lakota passou esse ensinamento ao seu povo e depois disso os nativos passaram a usar a teia do Dream Catcher como símbolo da construção de suas vidas ”.